O nome do filme Muita Calma Nessa Hora, DESTA VEZ foi super sugestivo – talvez compensando todos esses anos aturando as traduções de filmes estrangeiros feitas pela Ancine, não sei -. Apesar das boas sacadas e algumas cenas cômicas, o filme não passa de uma simples história cheia de situações sitcoms fora da cidade (por mais paradoxal que soe) , e pontas de “humoristas” famosos. Reforce as aspas.
Desde o início da história foi fácil a análise das atuações, pois as mesmas mantêm-se no mesmo nível até o fim do filme. A ex-modelo Gianni Albertoni, que interpreta Mari é bem regular, podendo melhorar muito a mecânica com que suas falas são dispostas e se entregando mais à personagem. Aninha -interpretada pela ex-chiquitita Fernanda Souza- é o ponto mediano das três, sua atuação é boa e perceptivelmente bem posta em cena.
Andrea Horta, que interpreta a personagem Tita me surpreendeu. No meu caso, à primeira vista, fiquei duvidoso com relação à sua atuação. Porém no decorrer do filme ela mostra um desempenho não só aceitável, mas digno de destaque, e até o fim – com diversas situações que pedem uma variabilidade de técnica dum garbo grande de atuação – a mesma me agradou colossalmente, sendo maior até mesmo que o fracasso do filme. Explicarei-vos o porque no penúltimo parágrafo.
A atuação de Marcelo Adnet também merece destaque, não muito pela atuação em si, mas sim pela capacidade que este cara tem de fazer-nos rir com o mais simples detalhe do roteiro. Ou tu acha que “VomÍto” já estava escrito assim no roteiro? Aquilo é pura sacada e percepção humorística. Quem já viu “15 minutos” com certeza se familiarizou com a “imitação” de paulista dele.
As pontas de atores -em sua maior parte globais- me lembrou aqueles filmes do DIDI em que eram contratados apenas por média e marketing. Não deve ter sido muito diferente aqui. Por mais que algumas atuações – como a de Leandro Hassum e Lucio Mauro Filho – tenham sido boas.
Porém, o cinema brasileiro destaca-se e sempre o fez pela sua originalidade (mesmo que seja uma adaptação) e inteligência se tratando de roteiro. Uma coisa que sempre gostei -pelo menos até o momento de ver o filme- foi a capacidade do cinema brasileiro me surpreender cada vez mais, a cada ano que passa. Desde os filmes dos Trapalhões, as maiores comédias que eu já vi -e gargalhei- foram as brasileiras. Talvez pela assimilação cultural ou até mesmo gosto pessoal. Porém, ao ver este filme com um roteiro simplório e, por que não, clichê americano, me desanimei. Afinal, personagens em busca de sexo, fugindo da rotina, situações -como disse no primeiro parágrafo- SITCOMICAS (googleie SitCom) e final esperado é caractéristica de hollywood, em que todos os anos saem comedias românticas.
Levando em consideração as atuações razoáveis e algumas destacáveis, e também contando a falta de originalidade do roteiro, Muita Calma Nessa Hora merece um SETE e MEIO. Mesmo me decepcionando, eu ainda acredito no cinema brasileiro -só ano que vem.. pois nesse ano, tirando Tropa de Elite 2, foi uma queda-livre-
Álvaro Tadeu