Pequeno manual de humor ofensivo
O brasileiro sempre teve dificuldade em definir os limites do humor, mas no passado estava tudo bem porque as pessoas costumavam se concentrar em coisas realmente importantes, como a fome mundial, as guerras e os 12 problemas bucais que um ser humano pode ter. No entanto, ultimamente, a patrulha do politicamente correto – formada por pessoas com uma grande falta de sexo e um ainda maior excesso de tempo – vem se dedicando a estudar as piadas que circulam por aí.
Com um tridente numa mão, um crucifixo na outra e gritando “Fogueira aos humoristas!”, a Patrulha Aburguesada Unânime (PAU) tenta impor limites às piadas que os humoristas têm contado. Em revide, a frente dos Humoristas Inconsequentes Moderados E Negativistas (HIMEN) tenta bater de frente com ela, empurrando os limites do humor para o mais longe possível.
Como nas lutas entre PAU e HIMEN, esse último costuma perder, nós resolvemos criar esse “Pequeno Manual do humor ofensivo” para auxiliar o grupo dos humoristas a entender até onde eles podem ir nas suas piadas:
O que pode?
O português andava na rua com um papagaio no ombro quando alguém chegou e perguntou:
- Belo animal! De onde ele é?
- De Lisboa – respondeu o papagaio.
CORRETO!
A piada segue todos os passos de um humor do bem. O papagaio não é maltratado
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O negro andava na rua com um papagaio no ombro quando alguém chegou e perguntou:
- Belo animal! De onde ele é?
- Da África – respondeu o papagaio.
ERRADO!
É uma piada racista e que não deve ser jamais contada sob risco de processo.
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O negro foi à farmácia e pediu:
- Moço, me dá esparadrapo cor-da-pele.
- Olha, fita isolante é ali do outro lado.
(Marcelo Marrom)
CORRETO!
O Marcelo Marrom, na condição de afro-descendente tem total liberdade para fazer piadas da própria minoria.
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- Você é cego total?
- Não senhora. Só até as 6 horas. Depois eu sou motorista de ônibus.
(Geraldo Magela)
Estou tentando minha carreira no humor. Tem o José Simão. Eu sou o José Sem-mão.
(José Luiz Martins)
Na próxima encarnação quero ser jabuticaba. Crescer grudada no pau e morrer chupada.
(Nany People)
CORRETO!
Essas piadas são absolutamente corretas: o Geraldo Magela é cego; o José Luiz Martins é deficiente; e a Nany People… é a Nany People. Sendo assim, eles podem fazer livremente piadas com a própria classe, afinal, gay homofóbico parece sinopse de personagem da Praça é Nossa. E se pode passar na Praça, então não é ofensivo.
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Eram duas bichas que passavam o dia pedindo esmolas na porta da igreja. Uma era cega e a outra paralítica. Ambas se odiavam.
De repente, a paralítica comenta:
- Olha que rapaz bonito!
E a cega:
- Corre lá e abraça ele!
ERRADO!
Quer fazer piada de cego? Fure os próprios olhos. Quer fazer piada de deficiente? Ampute uma perna. Quer fazer piada de gay? Vai ouvir Restart até gostar.
Essa piada é absolutamente errada pois afeta 3 minorias de uma só vez.
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Um português e uma loira entram num bar. E ambos concordam com as escalações do Dunga.
ERRADO!
Apesar de fazer piada com português e loira, dois assuntos extremamente aceitáveis, todos sabemos que futebol no Brasil é sagrado. Brigas generalizadas tudo bem, mas são as piadas que realmente machucam o torcedor brasileiro.
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Lembrem-se: se não fosse por ultrapassar os limites, o Brasil hoje seria do tamanho da Argentina.
E, no fundo, não existe humor ofensivo. O que existe são pessoas que se ofendem com o humor.
Escrito por: @Celo_Marinho do blog: oceloperdido.wordpress.com e @paulovelho do blog: blog.paulovelho.com.br