
O problema com os botecos não é a sujeira empilhada no chão, as moscas em cima dos ovos cozidos, nem os pombos chafurdando restos de provolone à milanesa na calçada. Isso é o de menos. Aliás, é justamente o que faz um pé-sujo ser diferente de um Fasano.
O negócio é a falta de uma etiqueta própria.
Por exemplo: cutucar os dentes no mesmo palito em que se comeu o ovinho de codorna, jamais. Usar o celular como calço de mesa, cuspir a pele dos tremoços no pratinho também são procedimentos inaceitáveis.
A verdade é que os botequins nunca foram tão a cara do Brasil como são agora: sem lei, nem ordem.
Você se cansa de ver aquele pessoal enfiando os dedos no pirex de tira-gosto do balcão e tirando uma “provinha”; chupando a espuma do copo de cerveja de modo a provocar aquele ruído de Boeing decolando. Ou o caos: urinando de porta aberta.
Daí a necessidade de normas para se frequentar esses bares populares.
Um dos pontos nevrálgicos é a forma de comunicação entre público e garçom. Assobiar para chamá-los já é um pouco demais, mesmo em se tratando de uma birosca. Chamá-los intimamente de “véio”, “tio”, “truta” ou “vem cá, seu veado” é totalmente fora de questão
Outro ponto importante é o momento de fazer o pedido. Nunca lance perguntas do tipo “esses torresmos estão cheirando mal porque estão estorricados ou é o porco que está estragado?” Ou mesmo: “os testículos de boi estão bons hoje?”.
O ideal é estudar bem o que for solicitar, confiar na casa – em Deus, Santo Expedito, São Longuinho – e dizer, em alto e bom som: “eu quero uma porção grande de linguiça apimentada no álcool”.
Ir a um botequim é um ato de “non-chalance”, exige galhardia, jogo de cintura. Se um bêbado cair em sua mesa, derrubando os copos e a farofa de carne seca sobre você, conte até dez antes de esmurrá-lo. Lembre-se: foi uma fatalidade, poderia acontecer com todo mundo, inclusive com você, que está tão manguaçado quanto qualquer outro habitué do local.
O mesmo espírito vale para a hora de pagar a conta. Se a sua “mina” não quiser dividí-la, evite estapeá-la em público. Seja polido, sacuda a moça só ao chegar no carro.
Detalhe importantíssimo: nunca peça um kyr-royale, ou qualquer outro daqueles drinques coloridos, num pé-pra-fora. O portuga pode interpretar mal, achar que você o chamou de paneleiro e quebrar seus dentes antes mesmo de escrever algo na comanda.
As regras acima, sem dúvida, ajudariam a criar um ambiente aceitável nessas pitorescas tabernas, diferenciando-as de seus concorrentes: os restaurantes-de-beira-de-estrada frequentados por caminhoneiros. Num deles, certa vez, havia uma famosa placa, no meio das mesas, onde lia-se:
É PROIBIDO ALMOÇAR DE ZORBA.
Definitivamente, sem etiqueta, não há civilização.









































9 Comentários
junho 16th, 2009 at 16:41
Acho que você vai encontrar algo interessante nesse post
http://nuncaouvinemfalar.blogspot.com/2009/04/meu-boteco-minha-vida.html
Abraços!
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junho 19th, 2009 at 9:09
[...] Etiqueta no boteco [...]
junho 19th, 2009 at 10:10
Tomara que a linguiça, palavra que o proprietário acertou conforme Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, sem trema, seja boa, porque o Português é péssimo.
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junho 19th, 2009 at 17:16
[...] Game – Craques dos games Imagens – Quanto mais idiota melhor! Texto – Etiqueta de boteco Dicas – O que não fazer em um velório Vídeo – Joselito Dog Dog sem noção Texto – Mulheres são [...]
junho 19th, 2009 at 20:35
É PROIBIDO ALMOÇAR DE ZORBA.
Essa foi pra acabar…
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junho 22nd, 2009 at 0:03
[...] farsa da internet As mulheres que nunca aceitaram posar nuas Programa para tirar printscreen Etiqueta no boteco O que nunca fazer em um velório Mulheres são mais vingativas que os homens O vício no video-game [...]
junho 25th, 2009 at 12:40
[...] mesa, cuspir a pele dos tremoços no pratinho também são procedimentos … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
julho 17th, 2009 at 15:00
[...] moscas em cima dos ovos cozidos, nem os pombos chafurdando restos de provolone à. fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
agosto 5th, 2009 at 16:35
[...] Fonte: Trocistas [...]