Hoje o Trocistas recebe um convidado sensacional. O nome dele é André Lima (@harpiaharpyia) e tem um humor incrível.
“Tudo é fogo”
Heráclito
Um dia desses (escrevo assim para não deixar o texto datado, entretanto, aconteceu ontem mesmo), um sobrado, na Rua Buenos Aires, onde eram estocadas espumas, cola de sapateiro e outras peças inflamáveis, pegou fogo. Caso o nome não remetesse a um deserto onde temperaturas infernais(chegam até 50º C durante o dia) são comuns, esse tipo de informação teria a importância reduzida a zero. Bem, a informação tem agora um índice de 0,1 em uma escala de 10, mas espero que a relevância seja maximizada ao longo dessa prosa. E talvez os trocadilhos moleques e as associações irresponsáveis possam render algumas linhas moleques e irresponsáveis.
As infelicidades associativas continuam no nome do proprietário, Edicarlos. Todos (Nota do Editor.:Você está louco???) sabem que esse é o mesmo nome do célebre (Nota do Editor.: Não tornarei a repetir!) cantor de “Roberto, meu amigão” (Uma homenagem ao Rei Roberto Carlos), que foi membro do movimento musical denominado Jovem Guarda. O principal bordão saído da boca de Roberto Carlos era “É uma brasa, mora?”. Podemos ir mais longe ainda nesse abismo se citarmos algumas composições da época, tais como “Prova de Fogo”, “Quero que vá tudo pro inferno” e “Vem quente que eu estou fervendo”.
Resolvendo de uma vez por todas encerrar minha paranóia, resolvi partir para a Numerologia. Eis que a soma dos números do local (não sou tolo de colocá-los aqui) dá treze. Uma pesquisa de apenas dois cliques me garante que tal número é pertencente ao grupo numerológico do fogo. Também há a informação de que o primeiro pavimento não foi atingido. Nova consulta. Pude constatar, perplexo, que o número um é pertencente ao grupo numerológico das águas. Desisti de desmentir os fatos. Só os fatos importam e eu os tenho aqui em bom número. Valei-me, minha Nossa Senhora de Aparecida Liberato!
Eu li também que o comércio das Ruas Buenos Aires e Senhor dos Passos foi altamente prejudicado pelo incêndio. Pelo jeito, só o comércio da área e o proprietário saíram com algum prejuízo dessa infeliz história. A visão dos prédios da Avenida Rio Branco e da Avenida Presidente Vargas era uma espécie de bis do reveillon no Centro do Rio. Em meu trabalho, por exemplo, algumas pessoas sofreram daquele surto de bondade que a meia-noite do dia 1º de Janeiro traz. Acho que vi até algumas dessas pessoas se abraçando e desejando umas às outras melhor sorte nos dias vindouros. Observei até que um champanhe foi estourado em celebração ao espetáculo involuntário. Eu torci para que alguns resolvessem pular as tais “sete ondas”, mas acho que Iemanjá não aceitaria uma oferenda que tivesse sido oferecida primeiro ao ar.
O jornal que me deu o conhecimento dos fatos diz que “as causas do incêndio ainda são desconhecidas e o laudo da perícia deve ficar pronto em 30 dias”. Entretanto, testemunhas, que pediram para não serem identificadas, dão conta de que um homem branco, aparentando 1972 anos, tocando harpa, com um sorriso largo e com trajes igualmente impróprios, deixou o local no momento em que as chamas começaram.
Mediante isso, pude tirar uma conclusão muito relevante dos fatos: se a fumaça era negra, é sinal de que o papa ainda não foi escolhido até hoje. Amém.
Em tempo:
(O GLOBO – Rio, 25/01/09 – “REFERENDO HOJE PODE VOLTAR A DIVIDIR A BOLÍVIA”)
Um pequeno comentário: Eu só espero que as ferramentas, em caso de vitória do SIM, não sejam espelhos, cartões de crédito, giletes e notas de dois Reais.
Ouvindo: “Fire”, Jimi Hendrix; “Cocaine”, Eric Clapton.
(André Lima)
Texto também disponível no blog Carmimpolis.