Hoje na coluna, Denny Dahmer do blog As Teorias da Denny. Vem nos falar sobre humor feminino.
E eu sei que ninguém bota fé em humor de mulher. Mas eu acho que, só o fato de ser mulher já exige um bom humor danado! Afinal de contas, mulher, pra aguentar ser mulher, só rindo mesmo.
Mulheres inventaram duzentos milhões de convenções que, no final das contas, acabaram atrapalhando a vida delas mesmas. E hoje eu, que não sou chegada a convenção nenhuma, tenho que pagar o pato. Ou, não pagar, e arcar com as consequências. Mas acreditem: mulheres sabem ser malévolas quando querem.
Por exemplo: minha avó era uma bela dona de casa da fazenda. Acordava cedo para fazer comida para o marido e os filhos, arrumava sua casinha, cuidava das suas galinhas, fazia doce de leite no tacho e doce de abóbora no panelão de ferro. Arrumava a casa, varria o pátio, cuidava das crianças e, com seu tempo livre, fazia seus bordados, tricôs e chochês. Meu avô chegava da lavoura, e ela já o esperava com a janta pronta. Ele comia feliz e iam pra frente da casa tomar uns chimas até o anoitecer. Então, de vez em quando, embarcavam na carroça ele dava o dinheiro na mão dela, e ela a comprar o que precisava para a casa e as crianças. Vidinha interessante.
Aí num belo dia, algumas mulheres resolveram que não queriam mais isso. E fizeram revoluções, e queimaram sutiãs em praça pública (até hoje não entendo porque queimar sutiãs, tanta coisa mais interessante para queimar) e um catatau de outras coisas. Queriam trabalhar e serem pagas como homens. Aí fudeu tudo. Para mim e para todas as outras mulheres.
Porque agora, eu tenho que acordar cedíssimo, ir tomar banho, com óleo de banho, sabonete pra isso, pra aquilo e pra aquele outro, lavar o cabelo com um shampoo diferente a cada mês para não viciar, passar cremes diferentes para cada centímetro do corpo, perfume, pintar as unhas… Então, tenho que abrir meu guarda-roupas e pensar cuidadosamente em que roupa vestir, porque outras mulheres vão estar me vendo, e ai de mim se elas não gostarem do que vêem! Serei difamada como mal vestida até minha 5ª geração!
Mulheres, na verdade, se vestem, arrumam, falam e agem para outras mulheres. Agradar um homem é relativamente fácil. Mas agradar uma mulher…
E então, depois de tudo isso, eu já estou exausta. Mas tenho que ir trabalhar. No fundo eu nem precisaria. Mas uma mulher não trabalhar nos dias de hoje é um absurdo, uma falta de consideração sem tamanha àquelas que tanto lutaram por nós! E pego o ônibus, ponho meus fones no ouvido e vou escutando músicas animadas, para ver se eu me animo até chegar ao meu trabalho. Lá, trabalho como uma mula, das 8h às 18h, com uma micro pausa para o almoço (o tempo de engolir a comida e sair correndo), fazendo um trilhão de coisas diferentes, a maioria nem sendo meus deveres porque sim, eu sou mulher e tenho que ser eficiente.
E se fosse só isso eu ficaria feliz. Mas além do meu cabelo ter de estar perfeito, minhas roupas impecáveis, meu palavreado ter de ser extremamente comedido, existem muitas outras coisas que a “feminilidade” me impede de fazer, ou me obriga a.
Não posso rir alto em público, é vulgar. Tênis, só para ir à academia. E tem a academia, aff… Me mato horas a fio erguendo peso para tentar alcançar um corpo que cause inveja às outras mulheres. Sim, porque homem gosta de mulher gostosa, que tenha coxão, pernão, bundão. Mas mulher gosta de osso. E por isso, além de erguer peso e fazer dúzias de atividades para emagrecer, não posso comer pizza, massa, churrasco, chocolate, sorvete, torta, brigadeiro, lasanha enfim, nada que tenha mais do que 50 calorias por porção. E, óbvio, isso não é garantia de que vou conseguir chegar ao peso que desejam para mim. Porque como minguadamente a semana inteira e, ao me pesar, vejo que engordei. Num ataque de raiva, mando a dieta às favas e como lasanha, uns chocolates e tomo refrigerante. No outro dia, com peso na consciência, vou me pesar e… EMAGRECI. Aí entro em parafuso e desisto de tentar entender a mim mesma.
No relacionamento com os homens então… Sabe, acho os homens fáceis de entender. Mas até no relacionamento com eles, preciso cuidar como agir, porque haverão outras mulheres olhando. Quero beijar, mas tenho que fingir que não, rezando para que ele não desista e insista ou mesmo me ataque para eu ter uma desculpa para um beijo. Olho com o canto do olho, dou uns sorrisinhos, mas tenho que me fazer de difícil. Vejam bem, se eu aceitar de primeira, vou ser a galinha, vagabunda e todos os outros adjetivos que eu não gostaria de ser chamada.
Também tenho que arrumar um namorado com faculdade, um emprego estável, altamente rentável, que se transformará em um marido rico, com um carro maravilhoso, que me dê tudo o que eu quero. Mas ainda terei que trabalhar.
No final das contas, eu me dou mal sempre. Porquê? Porque vou trabalhar de jeans e tênis. Porque não tenho noivo rico e às vezes falo palavrão. Rio alto e não recuso uma pizza de vez em quando (mas, confesso, vivo de dieta, aff). Minha genética não me faz escrava de cremes e meu cabelo é naturalmente liso. Trabalho, mas fico um tempão na internet vendo inutilidades. E estou me lixando para a opinião das outras mulheres.
Minha meta é, um dia, se possível, virar uma linda dona de casa, que fará comida, limpará e organizará a casa, cuidará dos filhos, e se embelezará para seu excelentíssimo esposo, fará bordados, tricô e chochê, e chá das 5 para as amigas. Se as tiver…
Será que elas me odeiam?
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Bj.
O que não gosto é de ser obrigada a fazer muitas coisas pra não ficar mal falada, ser taxada de fputil ou inútil.
Faço muitas coisas por mim mesma, mas sabendo que eu não tenho a liberdade de não fazê-las, ahahahaha…
Beijão, valeu!
Melhor frase… hehehe…