

Saudade do piercing do seu umbigo...
“Claudineite,
Recebi sua carta pedindo que eu te esquecesse. Mas isso, querida, não será possível. Posso ficar apartado da sua doce convivência, for do seu agrado. Mas a sua imagem singela e, ao mesmo tempo, provocante nunca sairá da minha lembrança.
Recordo bem quando te conheci. Naquela tarde, você estava parada junto à barraquinha de pastel. Seus lábios carnudos envolviam com volúpia um enorme pastel de carne e azeitona. Discretos filetes óleo escorriam do canto de sua boca cada vez que você tomava fartos goles na boca da garrafa de Fanta Uva. Sob o sol das duas da tarde, naquela via cheia camelôs no centro da cidade, você estava linda: reluzia a tintura loiro-ouro do seu cabelo domado pela chapinha. Reluzia também a pedra falsa no piercing do seu umbigo. Para compor essa cena, ao fundo tocava uma música de Joelma e Chinbinha:
‘Minha boca deseja
Me abraça e me beija, amor
Que o meu coração xonou xonou
Me ama, me toca
Que não tem mais volta, amor
Porque meu coração xonou xonou’
Foi amor à primeira vista, Clau! Puxei logo conversa e achei super meigo quando você me respondia com a boca cheia de pastel de carne. Achei lindo quando eu te dei o número do meu celular e você me perguntou se poderia ligar a cobrar. A gente não esquece de momentos assim…
Nosso namoro foi sublime, embora eu saiba que tenha te dado pouca atenção. Mas você não avalia como é corrida a vida de dono de corretora de ações. Sei também como é grande a sua responsabilidade como recepcionista daquele centro de estética que só é frenquentado por cavalheiros. Mas a dificuldade de coordenar nossas agendas nunca nos impediu de viver ótimas experiências, não?
Como foi divertido quando o sushi de ovas de ouriço caiu no seu decote naquele caro restaurante japonês. Tudo porque você só me disse depois que tinha “pobrema de comer com os palitinho”, ora! Gosto da sua espontaneidade. Sei que você não gosta de sorrir muito, pois falta aquele canino no lado esquerdo. Mas eu não ligo para esses detalhes, pois estou apaixonado.
Não ligo também para o fato de você ser ligeiramente estrábica (pensava que eu não tinha notado, né?), imperfeição que te dá uma beleza digna de uma quadro da fase cubista de Picasso – e que você tenta disfarçar com um par de lentes de contato azuis-turquesa. Que me importa também aquele seu problema intestinal crônico? Para quem ama de verdade, a flatulência não se distingue tanto do odor das margaridas…
Volta pra mim, Claudineite! Volta, que prometo até convidar para o nosso próximo passeio de iate aquele seu primo que você tanto gosta. O walderney que trabalha com a venda de cópias alternativas de DVDs – empreendedor! – e gosta muito do meu uisque doze anos. A gente convida também a namorada dele: aquela mochinha de voz grossa chamada Pâmela Penélope.
Beijos do seu eterno enamorado,
Marcelo”




































1 Comentários
setembro 26th, 2009 at 11:47
[...] This post was mentioned on Twitter by d3nnyzuda. d3nnyzuda said: Volta, Claudineite!: “Claudineite, Recebi sua carta pedindo que eu te esquecesse. Mas isso, querida, não .. http://bit.ly/K9BaR [...]