
- Ô rapaz! Quanto tempo!
- Olha só quem tá aqui! Como é que você tá?
- Tô bem, ainda lá na firma. E você?
- Tô ótimo! Depois que saí de lá entrei no show business. Show biz para os leigos. Sou empresário de uma dessas boys bands, sabe?
- Sério?
- Sério.
- E qual banda que é?
- Ah, você não ouviu falar não.
- Ué, mas você não disse que estava bem? A banda não é famosa?
- Sim e não. Estou bem, ganhando uma bela grana, mas a banda não é famosa não.
- Não entendi…
- É o seguinte: todas as boys bands são muito ruins. Mas tem umas quatro ou cinco que dominam essa parte do mercado. Como as gravadoras não querem concorrência, eles pagam para a gente não gravar, para manter o mercado em alta. Oferta e procura, entende?
- Mais ou menos. Mas shows vocês fazem então?
- Não! Muito menos! Os moleques não sabem tocar nada. Ia ter que ser só no playback. Na verdade eles são tão ruins que as casas de show até dão uma grana para a gente não aparecer por lá.
- Estranho. Mas e na TV? Na TV vocês devem aparecer, né? Tipo, marcar uma presença, fazer um “merchan”, vender a imagem da banda…
- Não, na TV não. Nem pensar. A TV é furada…
- Por que?
- Pô, parece até que você não assiste. Na televisão é o contrário. Lá as coisas boas é que são compradas para não passar. Seriado, jogo, desenho, show… Para passar lá tem que ser ruim, entende? Aí meus meninos iam ter que trabalhar de verdade… Aí não, né?
- Ô lôco, meu!
@Faccine