Fulano acordou se olhou no espelho seu olhar era vazio e sem esperança. Hoje fazia um ano exato que sua noiva havia o deixado para ficar com seu melhor amigo da época, resolveu não ir trabalhar, já que não tinha problemas com dinheiro.
- Que merda de vida – ele diz se olhando no espelho – Nossa já faz um ano que aquela vadia me deixou! Como eu sou idiota, eu odeio minha vida, meu emprego é uma bosta e eu deixei a mulher da minha vida escapar… Mas hoje tudo isso termina – ele identifica um brilho em seus olhos, abaixa e lava o rosto na pia e continua – Nossa já são 11 horas, vou almoçar.
Coloca suas melhores roupas e se dirige ao seu restaurante favorito, não por acaso o que levava sua ex-noiva, pedi seu prato predileto, não estava tão faminto assim e pede pro garçom embrulhar as sobras pra viajem.
Volta ao seu lar abre uma gaveta cheia de papéis e pega um envelope, dentro do envelope estava repousando seu bilhete de suicida. Vai ao banheiro, fazer o “número 2” lendo o papel e refletindo em seu bilhete que era fruto de tentativas frustradas:
“Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história. Querido mundo, deixo-te por estou aborrecido. Sinto que já vivi o suficiente. Deixo-te com as tuas preocupações idiotas. Boa sorte! Aos os meus amigos: O meu trabalho está feito. Porque esperar?Eu sou mesmo um bebê errático e triste! Não tenho mais paixão, então lembrem, é melhor queimar do que se apagar aos poucos. Paz, Amor, Empatia. Aproveitem minha ultima merda (vide privada).” Ass. Fulano de tal.
(Obs.: Fulano é alguém sem identidade, por isso seu bilhete não é autoral).
Termina o “serviço” no banheiro, não da descarga de propósito, lava as mãos e vai direto ao quarto, o local escolhido para consumar o ato. Liga o computador coloca algumas músicas pra tocar, a playlist escolhida era a preferida de sua ex-noiva.Abre uma gaveta do criado mudo ao lado da sua cama, tira um porta retrato com a foto de um casal feliz e apaixonado e um revólver, coloca ambos sobre o criado mudo e se deita na cama olhando fixamente o teto.
Sua respiração e seu coração estão acelerados, efeito da adrenalina, se vira para o lado onde repousam a fotografia de uma memória feliz, a ferramenta escolhida para dar fim ao seu presente amargo e um envelope. Vários pensamentos passam pela sua cabeça, de repente começa tocar uma música do Lobão “Essa noite não” sem querer Fulano começa a reparar na letra da música tantas vezes apreciada pela sua ainda amada.
Seus pensamentos param por alguns segundos e a única imagem na sua cabeça é uma marmita de alumínio que está dentro de sua geladeira, guarda o porta retrato, o revolver e o envelope.
- Quem sabe outro dia… – Vai até o banheiro dá descarga, depois à cozinha abre a geladeira e come as sobras do seu almoço.