Carnaval finalmente acabou. Para alguns uma maravilha, para outros uma pena. De agora em diante as coisas no Brasil começam a funcionar (oi?). Aulas sérias nas escolas, funcionários públicos trabalhando. Esse tipo de coisa que desde o Natal era raro.
Vocês sabiam que o Carnaval, essa festa popular e populosa, nasceu na Europa? E até virar essa putaria festa alegre e despojada demorou muito… Anos e anos de intenso desenvolvimento intelectual e psicossocial… Mentira. Foi evoluindo no meio da folia mesmo, nada mais justo.
Então vamos fazer uma breve análise histórico-cultural… Se o carnaval surgiu na Europa, se ele é comemorado em fevereiro e se nessa época do ano faz frio na Europa, como são as roupas tradicionais do carnaval? Roupas que protegem do frio, roupas quentes, claro.
Daí que antigamente as roupas, até mesmo no nosso lindo país tupiniquim, eram bem mais comportadas do que hoje em dia (sem comparações…). Visualize a cena: carnaval de 1970, Brasil, festa a fantasia na rua, e você fantasiado de pirata. Bota de couro, calças escuras, camisas de manga comprida, barba postiça e lenço na cabeça. Em pleno verão. Morreu só de pensar? O fato é que, com o tempo, as roupas foram diminuindo, diminuindo… Ao ponto de hoje vermos vulgarmente pessoas desfilando praticamente (ou totalmente) nuas na avenida.
Mas faz sentido né?! O clima propiciou essa mudança, esse “avanço”.
O carnaval em Portugal (como exemplo mais “próximo” do Brasil dentro da Europa – hein?) comemora-se no mesmo período em que é comemorado no Brasil, fevereiro. Com apenas um detalhe básico e totalmente irrelevante: no Brasil, nessa altura, está mega verão (com direito a mínimas de 45˚C na sombra à noite), enquanto em Portugal está inverno (com direito a congelamento instantâneo de corpo ao pisar fora de casa – as vezes até dentro de casa mesmo).
Agora imagine que, enquanto no Brasil atualmente os trages carnavalescos são bem “fresquinhos”, do outro lado do oceano, além mar, na terra dos Manueis e Joaquins, inventaram de copiar o carnaval do sudeste brasileiro. Fato verídico. As moças vão as ruas em quase iguais trages brasileiros, porém, num frio de lascar. Legal, né?! Isso se não derem a sorte de cair neve e escorregarem com os saltos… Enfim, não estou a desejar mal as outras pessoas.
Daí a festa de rua lusa de alegria fica um pouco comprometida por fatores externos… Os comerciantes de cachorro-quente, algodão doce, churrasquinho de bacalhau e afins reclamam por vender pouco… A malta reclama do frio, pá… E eu, pobre mortal brasileira, pergunto-me a mim: porque não muda a data do carnaval pra uma época de verão? Porque em Portugal tem verão, e faz calor! Mas não, comemoram o carnaval justamente na época de mais frio…
Beleza, isso a história explica… O carnaval, tal como o Natal e a Páscoa, existe por um motivo “religioso”. Jura, Tia Flávia? Juro, amores. Talvez seja a festa criada por motivos religiosos que menos é religiosa existente hoje. (Isso até me faz lembrar aquele carro alegórico que causou a maior confusão com o povo crente e teve que ser todo modificado na última hora. Link da Noíticia, aposto que vocês nem lembram…)
Então tudo bem, na época a preocupação não foi usar roupas, melhor, não usar roupas e sim o fim religioso (não estou preocupada em saber direito qual é… Isso foi na Idade Média e vocês sabem que na Idade Média Deus era causa, motivo e razão de tudo de bom e ruim na face da Terra).
E aí vem outra questão… Mudar a data seria um “pecado”? Mas gente, bobage isso. Daqui a pouco nem a Quaresma vai ser vinculada a motivos religiosos. Algum repórter vai às ruas e pergunta a um cidadão: então, qual o significado de passar quarenta dias comendo menos? E o tal responde: “é esse padrão de beleza ditatorial da magreza… e tal…”
Portanto, volto a questão: porque não mudar a data de um carnaval pro verão? Por motivos religiosos? –q?
Depois que mudaram o nome do Aeroporto Internacional de Salvador para “Deputado Luis Eduardo Magalhães” em diante, mudanças “absurdas” em tradições não me afetam em nada. Pecado por que? A galere nem lembra que carnaval tem a ver com religião mesmo.
Pausa explicativa: Luis Eduardo Magalhães foi o filho de ACM – aquele que mandava e desmandava na Bahia – ele morreu e era fumante compulsivo. Um belo exemplo e um justo motivo para mudarem o nome do aeroporto que antes era em homenagem ao dia da independência da Bahia (2 de Julho), não é?!
Mas okay, não querem mudar a data: não mudem. Nem portuguesa eu sou. Se querem morrer de frio: que morram. No Brasil morrem de fome e bala perdida e nem por isso mudam Brasília de lugar. Vou falar do que eu posso agora: Bahia. Minha terra s2.
Na Bahia tem trio elétrico. Tem bloco de trio elétrico. A galera paga caríssimo pra ficar pulando (e sendo pisado, claro) atrás de um trio (um caminhão de som, digamos assim, com um artista (ou não) famoso (ou não) cantando, tocando e/ou dançando pra animar o povão). Ai tem até a musiquinha “atrás de trio elétrico só não vai quem já morreu”. Tenho medo dessas coisas, vou comentar não. #Paray_com_isso.
O fato que me deixa indignada (mentira, tenho nada a ver com isso, é só pra dar um tom dramático ao texto): o povo paga! O povo vai! O povo vende as cuecas em forma de fuxico pra pagar ssascoisa, depois reclama que não tem dinheiro pra comer, pra se educar, pra criar os filhos, pra comprar a ração do papagaio e pede ao governo “melhores condições de vida”… Pode? Poder, não podia, mas tanto pode quanto acontece.
E eu? Eu odeio carnaval. Mas não vou alongar esse discurso sócio-economico-político-crítico aqui, porque o blog é de humor. Tenho que manter meu foco no drama e na esculhambação literatura cômica.
Enquanto o povo (no Rio, na Bahia e em Portugal) se acabavam (literalmente) nas ruas, eu e meu namorado fazemos outras coisas mais úteis e outras não tão úteis, mas que pelo menos não implica em risco de vida: escrevendo posts sobre essa festa.