
Pra quem não sabe, semana passada eu completei dezoito anos. DEZOITO ANOS.
Se formos pensar, nos dias atuais com esse tanto de perigo no mundo, é uma vitória chegar aos dezoito. A gente têm a impressão de que muita coisa vai mudar quando alcança a maioridade, tipo a cabeça, sempre achei que com dezoito anos pensaria diferente.
Quase nada muda, pra ser honesto. Você agora deve estar pensando: porra Hugo, vai usar o texto dessa semana pra filosofar? Não, não vou. Foi só a introdução, hehehehehe.
Com dezoito anos, você não pode mais falar que não vai em uma festa porque não tem idade pra entrar, e olha que eu usava essa desculpa sempre que não queria ir em alguma festa, mesmo não precisando ser maior de idade.
- Hugo, vamos na festa naquela boate que vai tocar só música eletrônica? – Nem vou, hein? Não tenho idade pra entrar. TRAP AVOIDED.
- Amiguinho, vamos na festa de aniversário da minha avó? – Xih, rapaz. Não tenho idade pra entrar. TRAP AVOIDED.
Agora, tenho duas opções: ir na festa ou pagar de chato.
Vamos ao assunto do meu texto dessa semana: MINHA FESTA DE ANIVERSÁRIO!!!!
A semana do meu aniversário tinha tudo pra ser um desastre: quatro provas, que eu não tinha nem noção da matéria, aula todos os dias de manhã, falta de dinheiro, cansaço, resfriado e mais uma infinidade de sinais do Universo de que a semana seria péssima. No final, foi muito boa. Inferno Astral, not in my ass, senhores.
Quinta-feira, véspera do meu aniversário, teve uma festa aqui perto da minha casa. ARRIBA FEDERAL a festa da TEQUILA! Imaginem, eu, festa, véspera do meu aniversário, tequila. Resolvi fazer um esquenta aqui em casa com alguns amigos, já que moro perto do local da festa.
Em um certo horário, os vizinhos apareceram na janela e falaram alguma coisa que não consegui entender, deduzi que era pra abaixar o som e acabar a festa. Chamei todos que estavam aqui em casa e falei CORRE, NEGADS. Quando tudo estava desligado, e os vizinhos ainda na janela, consegui entender o que eles diziam: DE QUEM É O ANIVERSÁRIO? NEM CHAMA NÉ? PARABÉNS! Ufa, pelo menos a briga era por falta de convite, e não pelo barulho. Mandei religar tudo.
Fomos pra festa. Lá dentro, eu escutava uma sirene algumas vezes e percebia uma comoção perto do bar, não conseguia entender o motivo. É BRIGA, pensei. Esse lugar só dá briga, a sirene toca toda hora. Só fui entender o que realmente acontecia quando estava eu, lindamente no bar, comprando cerveja quando toca a maldita sirene, olho para trás e vejo um bando de gente correndo em direção ao bar, fiquei preso e encolhido no meio deles. Foi aí que entendi que quando a sirene tocava, todos ganhavam tequila de graça.
Ah, meu filho. Nas próximas sirenes baixou um ninja em mim. O barulho começava e eu já estava lutando no bar pela minha dose de tequila, afinal, era meu aniversário. Me senti numa selva, cotovelada aqui, puxão de cabelo, pisada no pé. Apesar de tudo, consegui minhas tequilas de graça e fazia minha dança da vitória, cada vez que pegava uma dose, olhando pra quem não tinha conseguido.
Não conseguia encontrar a Paula, amiga que mora comigo, em nenhum lugar da festa e ela estava sem chave de casa. FOI FERVER, pensei. Lá pelas cinco da manhã, quando resolvi ir embora, vejo um movimento estranho em frente a minha casa. Era o vizinho sentando junto com a Paula na calçada, cheio de gente em volta. FOI ESTUPRADA, pensei.
Na verdade não, como eu sumi e ela achou que eu tivesse ido embora e deixado ela pra trás, aproveitou que os vizinhos estavam na rua e disse que eramos namorados e tínhamos acabado de terminar. Eu, chegando em casa, cinco horas da manhã, tendo que levar sermão de vizinho dizendo que ela era um mulherão, que eu não podia terminar com ela, que ela me amava demais e que eu não podia deixar uma menina grávida nesse horário na rua, não teve preço.
Não teve preço porque, primeiro, eu não curto essas coisas de mulher, se é que vocês me entendem. Segundo, ela não estava grávida, mas encenou muito bem. Terceiro, ela disse que esse foi meu presente de aniversário.
DEZOITO ANOS, VAMOS LÁ.