
Hoje farei alguns comentários sobre um episódio pelo qual passei essa semana e que me irritou muito!
Eu, jovem estudante do curso de Letras, fui a uma livraria pra comprar um livro de Fernando Pessoa (poeta português). Cheguei na Saraiva toda empolgadinha pra comprar o livro e já sair de lá na minha tara insana por livros novos: cheirando, passando páginas, cheirando, já lendo um ou outro poemas e cheirando (sei que isso é estranho, mas cheiro de livro novo é viciante).
Bem, cheguei pra senhorinha com avental amarelo e perguntei: tia, tem R$ 1,00? Vocês têm o Livro do Desassossego?, e ela: não, e eu: tá bom.
Essa foi a primeira tentativa. Vamos à próxima:
Fui à Nobel, uma outra livraria.
Lá chegando, uma funcionária toda felizinha, do tipo que carrega um sorriso irritante no rosto, começou:
_Posso te ajudar?
_Pode. Vocês têm o Livro do Desassossego do fulano de tal?
_ Só um minutinho. (e foi até o computador checar o estoque)
Começou aí uma cena bizarra que me deixou bastante constrangida (e não estou sendo irônica). A funcionária-feliz começou a digitar:
DESASU…/não,
DESASOSU…/não,
DESOSEG/
DESASUCE/
Tive que interferir, senão aquilo nunca acabaria:
DESASU/não, é com 2 S´s…
DESASSU/ é com O…
DESOSSU/ é como estava antes, só que não é U é O.
DESASSO (assim?) …é!
DESASSOSEGO/ é com 2 S´s também no final…(tem certeza?)… é sim… (isso tudo de S mesmo?)… é sim!
DESASSOSSEGO!
ALELUIA! ALELUIA! ALELUIA! ALE-LUI-Á!
…
_Tem não, Senhora! Tem certeza que era com todos aqueles S´s?
_(desanimada) Era sim… Mas vocês têm algum outro livro do Fernando Pessoa?
(breve pesquisa – dessa vez ela não errou)
_ É, tem não.
Pensei “eu devia ter perguntado isso primeiro!”
Quase sem esperanças, fui a uma terceira livraria que não sei o nome. Fui mais por deSSencargo desencargo de consciência e ( Adivinha?! Será que lá eu iria encontrar? Será que minha busca teria fim? Será? Será?), lá também não tinha o meu livro…
Sabe, Fernando Pessoa é um dos maiores poetas da nossa língua. Nunca imaginei que eu não encontraria um livro seu em uma livraria (quem dirá em 3 livrarias diferentes)! Deus do céu, nelas só se encontram Best Sellers do tipo Crepúsculo ou Nosso Lar.
Antes que um bando de vampiro sanguessuga caia de boca no meu pescoço, eu quero deixar bem claro que não tenho absolutamente nada contra esse tipo de livro. Nos dias de hoje, ninguém lê absolutamente nada, por isso fico feliz quando um adolescente diz que lê Crepúsculo, Harry Potter (sou muito fã da série, mesmo), outros. Mas só acho que uma livraria que só vende Best-Sellers deveria se chamar bestselleria!!! Pelo menos justificaria suas funcionárias-felizes e burrinhas.
Se não tem Literatura Portuguesa (nem Língua Portuguesa) numa nossa livraria… Não deveria ela funcionar em outro país??? Não deveria ela vender bugigangas qualquer, ao invés de livros???
(Ah, esqueci! Já vende!)
Apesar dos indícios de uma funcionalidade falida (vender livros, ou mais, vender livros dos grandes autores), acredito que nem tudo está perdido (tá, eu sou besta em acreditar)!
“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”
(Álvaro de Campos, heterônimo de Pessoa, em Tabacaria)