Fumar é um charme para quem fuma. Sim, somente para quem fuma. Existe toda uma interação dos fumantes com o espaço físico e permitido para fumar. Uma espécie de pacto – bolsa, cigarro, isqueiro, gloss e Halls – um grupo seleto de pessoas que param e voltam a fumar a todo instante. Não tenho nada contra aos fumantes, pelo contrário, o pulmão não é meu e nunca vai ser.
Não pago as contas de fumantes e muito menos o seu maço. Uma noite dessas qualquer, resolvi fumar um cigarro só para começar a puxar um papo com as “gatas fumantes”; e não é que algumas têm interesses maiores por homens que fumam? Acho que elas olham logo para a marca do cigarro. Fiquei lá, parado a alguns metros de uma roda de garotas com o meu “cigarrinho” light, e de repente uma perguntou pra mim: “Você tem isqueiro? E eu idiotamente disse a ela: Só fogo, gata! Ela riu – dona de um senso de humor bem apurado – o papo fluiu e fomos felizes naquela noite e algumas horas do dia seguinte, ou melhor, até ela acabar com o meu “cigarrinho” e o maço dela.
Na noite tudo pode acontecer, pois alguma coisa a gente tem em comum: o maço e o bom humor dão lugar para a ressaca de birita e de cigarro. Um raro prazer?