Monografia segundo a minha etimologia quer dizer: Mono; um e grafia; escrita. Ou seja, “um escrito”. Mas no meu caso foi diferente, criar “um escrito” de linguagem técnica e cientifica é complicado, pois sempre fui o “engraçadinho” da turma (leia-se: SEMPRE e DAS TURMAS), levando em consideração minha carreira meteórica cadente de comediante de stand-up e a faculdade cursada requerendo de mim qualidades como: probidade, hombridade e uma conduta ilibada. Dá pra imaginar a encrenca que eu me meti.
Ah, esqueci de mencionar o curso e o tema da monografia. O curso foi o de Direito (eu faço direito! Antes que alguém faça a piadinha inescrupulosa) e o tema da Monografia era: A problematização da progressão de regime para os crimes hediondos (escroto né?!). Alguém vai querer me perguntar, “ahh, então porque você escolheu o Direito?”. Pois é, não sei. Logo eu que sou canhoto…enfim.
No primeiro momento de correção da minha monografia, veio a bomba. meu (des)Orientador quis me reprovar por plágio. E assim o fez se eu não tivesse sido mais rápido e corrido pra secretaria da faculdade trancar a cadeira. Coincidentemente o professor que tentou me reprovar alegando injustamente o plágio sumiu misteriosamente (isso é sério, mas não fui eu, eu juro!).
Enfim, passado o semestre chega a hora da matricula. Escolho novamente a cadeira de monografia e dessa vez opto por um professor mais gente boa, que acreditava no meu pontecial e chegou até declarar publicamente ou a acreditar cegamente que eu poderia ser uma revelação de inteligência rara, ou seja, um gênio.
Daí veio a responsabilidade e com ela a primeira correção (que na história é a segunda). Meu novo “mestre” mandou logo de cara eu refazê-la por inteiro, alegando não conter linguagem técnica e nem cientifica, levando em conta os trocadilhos e as piadocas (termo que utilizo para piadas xulas) utilizadas.
Volto pra casa triste e abatido e refaço tudo. Na segunda correção (que na história é a terceira), ele me manda reescrever novamente, alegando que tinha muita poética e filosofia. Inconformado, reescrevo e sumo. Não dou mais as caras nas aulas, nem lhe envio pra recorreção. Marco o dia da apresentação e opto de última hora por reescrever um artigo (pela minha etimologia: art; arte e igo; não faço ideia do que isso queira dizer), 20 páginas, moleza. Escolho a banca examinadora, e nela o professor de penal mais temido da faculdade, meu brother, que também acreditou um dia em que eu era um gênio incompreendido.
No dia da apresentação, me visto de acordo como a “cerimônia de tortura” exige: paletó, gravata e sapatos lustrados. Depois de todos os preparativos e eis que eu, Flávio Chaves, aquariano, canhoto e ex-comediante de stand-up, me vejo a Gaga de Ilhéus. Gaguejei muito. Travei. Repeti. Gaguejei de novo. Suei. Enganchei no “que-que-que-que-que-que-que-que-que” da gaga. Então os exterminadores examinadores decidiram por bem me dar uma nova chance, não de apresentação, eles sabiam que não tinha condições. Deixaram, portanto, eu reescrever (de novo novamente outra vez na sequência) minha monografia (o que eu escrevi na verdade foi um artigo) em 5 dias, para me darem a nota da média, o que significa, passar se arrastando.
Moral da história: Nunca pense que-que-que-que-que-que-que-que…
@theflaviochaves