Vi essa reportagem da Veja e vi que pode gerar uma boa discussão sobre o humor na TV.
Mesmo quando se toma por referência a renovação em curso nos últimos três anos com os programas de humor da MTV ou a estreia do comediante Bruno Mazzeo na TV aberta, as esquetes ou números de improvisos do formato stand up comedy são defasadas se pensarmos que há pelo menos quatro décadas os programas de humor americanos e ingleses fazem uso dessas ferramentas.
O humor predominante na TV brasileira é praticante dos bordões e roteiros previsíveis oriundos do rádio. Ponha lado a lado os áudios de qualquer quadro de A Praça é Nossa (SBT) ou do Zorra Total (Rede Globo), e esquetes do Balança Mas Não Cai, criado na década de 1940 pelo diretor Max Nunes para a Radio Nacional, e não será de todo estranho a impressão de que se parou no tempo.
Mesmo quando se toma por referência a renovação em curso nos últimos três anos com os programas de humor da MTV ou a estreia do comediante Bruno Mazzeo na TV aberta (Rede Globo), as esquetes ou números de improvisos do formato stand up comedy são defasadas se pensarmos que há pelo menos quatro décadas os programas de humor americanos e ingleses fazem uso dessas ferramentas.
“É curioso pensar que o stand up comedy tenha virado febre no Brasil no fim da década passada quando nos Estados Unidos você pode assistir números do tipo em pequenos bares desde os anos 1950”, diz o roteirista de TV Ricardo Xavier, autor do livro Almanaque da TV, em que aborda, entre outros assuntos, o espaço do gênero na TV brasileira desde a primeira exibição até os dias atuais. Atrasada ou não, menos mal que a reforma de parâmetro esteja ocorrendo e em larga escala.
Poucos exemplos - Tentativas pontuais de mudança no padrão radiofônico que permeia o humor na TV brasileira já aconteceram anteriormente. A maioria delas, de curta duração.
Entre programas e humoristas consagrados como Os Trapalhões e as atrações comandadas por Chico Anysio e Jô Soares, nas décadas de 1970 a 1990, calcados em esquetes e personagens variados, abriram-se poucas exceções ou investiu-se em formatos anteriormente testados, como A Grande Família, há dez anos em cartaz, cópia renovada do original dos anos 1970.
Das exceções, duas se destacaram pela iconoclastia e pela inovação de formato: a TV Pirata, que foi ao ar entre 1988 e 1992, e o Casseta e Planeta, atração que teve o fim anunciado este mês depois de manter-se no ar por 18 anos, desde 1992, na Rede Globo.
O primeiro, comandado por um time de excelentes atores como Marco Nanini, Luis Fernando Guimarães, Ney Latorraca, Claudia Raia, Diogo Vilela, Débora Bloch e Cristina Pereira, investiu sobretudo em narrativas non sense muito assemelhadas ao humor que o grupo inglês Monty Python lançou na década de 1960.
Já o Casseta e Planeta, grupo formado originalmente nos bancos de uma universidade carioca com um jornalzinho mimeografado, no fim dos anos 1970, por Helio de La Peña, Marcelo Madureira, Beto Silva e mais tarde Claudio Manoel e Claudio Besserman, o Bussunda, investiu pesado na crítica política, na sátira e na paródia de programas da própria emissora.
Novos herdeiros - Ecos (crítica política, sátira do cotidiano, comédia de erros e humor de costumes) das duas atrações podem ser ouvidos ainda hoje, guardadas as devidas particularidades, no Comédia MTV, no Furo MTV e no Junto e Misturado, este, dirigido e estrelado por Bruno Mazzeo, filho do humorista Chico Anysio, no ar desde outubro deste ano.
É de se perguntar por que tão espaçadamente surgem programas além dos de auditório com claque e até musicais que remetem as chanchadas da década de 1960, como os que costumam encerrar o Zorra Total. Para Bia Braune, historiadora de TV, há dois motivos principais. A saber, “a cultura do espectador, acomodado com a piada fácil e o comodismo das emissoras que arriscam pouco, já que precisam prestar contas a si mesmo e aos anunciantes da audiência de cada programa. Por isso, quase sempre acaba se optando pelo que é consagrado, ou melhor, o que não oferece riscos”.
Segundo o cartunista Arnaldo Branco, convidado pelo Casseta & Planeta para colaborar com os roteiros no último ano do programa, com a intenção de “arejar” os quadros e tentar sintonizá-los com a audiência que aos poucos foi fragmentada pela internet, “o humor é dinâmico, o que é engessada é a noção do que o público vai entender e gostar dentro dos departamentos de criação das emissoras, mas vivemos recebendo lições. Quando vejo o Freddy Mercury prateado, do Pânico na TV, penso: que droga tomou o sujeito que acreditou que isso podia dar certo? E no entanto, deu”.

Branco encontra reforço na opinião de Braune, para quem o Pânico na TV, que reza pela cartilha do escracho e dos personagens absurdos, é a coisa mais revolucionária em termos de formato que surgiu na TV brasileira desde a TV Pirata.
Os dois, no entanto, são unânimes em reconhecer Marcelo Adnet, da MTV, como o principal expoente da nova geração de humoristas brasileiros pelo modo refinado como trabalha os seus quadros. E, junto com Ricardo Xavier, apostam que depois de tanto comodismo, as emissoras vão precisar cortar um dobrado para encontrarem – como parecer ser o caso da MTV – novos talentos e canais de diálogo com os jovens que, cada vez mais pela tela do computador, vão definir o que querem assistir na TV.
Outra opção é a de sempre voltar ao passado. Como fará o canal Viva, de TV por assinatura, que a partir de 1º de janeiro de 2011 reprisará aos sábados o TV Pirata.
Sorte que apareceu o Pânico numa época em que a maré estava baixa no humor, e liderou essa renovação na qual os humoristas da MTV hoje lideram.
Adoro o Mion, João Gordo, Teena[ ex deznecessarios], Mionzinhoo, Banana Mecânica [os imortais hermes e renato]
Mas me decepcionei muito achei que seria mesmo um programa diferente e sem apelação pra ganhar audiencia, mais ou menos parecido com o programa do hermes e renato que tinha como base situações engraçadas contendo palavras de baixo calão, sátiras (bem ao estilo deles) de quadros e programas de outras emissoras, de filmes (de já existentes, tendo muitos criados por eles mesmos), propagandas de variados produtos e remédios e o humor negro .Se destacando pela simulação de uma produção de baixo custo e por satirizar sem meias-palavras até com termos de baixo calão, normalmente proibidos na TV aberta. Por ser na TV Aberta já imaginava que não iriam rolar da mesma forma como era na MTV mais se igualar a esses programinhas chulos da TV aberda com bundas, peitos, piadinhas e brincadeirinhas sem graça. Esperava muito mais do programa do Mion pelo elenco Otimo que ele tem [sem conta com os que sairam].
Mais como sempre a nossa TV brasileira esta longe de ter um programa com Humor Inteligente, sem apelação