Em 27 de janeiro de 1988 nascia Yury Veiga Pires, vulgo eu ou o cara que vos escreve nesse exato momento. Todo enrugado, feio de dar dó. Feio ainda sou, só deixei de ser enrugado em algumas partes. Uma das minhas avós quando me viu disse: “o importante é ter saúde.” A outra me acha lindo até hoje, mas opinião de vó, mãe e puta não valem de nada. Sabe aquele ditado “A pressa é inimiga da perfeição”? Então eu sou resultado de uma rapídissima, no melhor estilo coelho fuckin’ fast motherfucker.
Esse nome talvez seja por causa do Yuri Gagarin ou será que existe algum outro Yury famoso? Agora pensem comigo: Yuri Gagarin tem ‘i’ no fim, porque diabos o meu tem “y”? Coisa de pobre, pode falar. Pior que é mesmo. Pior ainda é estar na sala de aula e para minha surpresa ter um “Iuri”. PULTAQUEOPARIU que sorte, não? Um Yury já é escroto, mas dois é infinitamente bizonho. Foi aí que comecei a ser chamado de Veiga.
Minha primeira casa, depois do útero de mamãe, foi em Bangu. Imaginem um lugar aprazível e acolhedor, Bangu. Não lembro muita coisa de lá, só lembro que o nome do colégio era Corujinha. Não me perguntem porque, minhas ordens eram apenas ir “estudar” lá com 3 anos de idade e ser feliz.
Fui crescendo e a as crises de bronquite aumentando. Eu tinha que tomar um remédio muito ruim e toda vez que eu tomava, vomitava tudo. Era muito ruim mesmo. Claro que sujava tudo e ainda por cima apanhava, o que piorava a situação. Mas lembre-se, isso aqui não é nenhuma carta para a polícia. Já que o crime de violência infantil já prescreveu. Sacanagem, não teve nada disso.
Infância difícil, só queria saber de jogar meu Master System com Sonic na memória. Sabe aquele gordinho que é sempre zoado em tudo e muitas vezes mesmo sem motivo? Tipo: “Ahhh, ele tá de bermuda azul!!!”. Então, sou eu. No futebol era o último a ser escolhido, sempre. Todos esses piques que existem por aí envolvem muita corrida, então eu já pulava logo fora. Porque se eu tivesse que correr atrás de alguém, o jogo seria eterno. Enquanto meus amigos faziam meinha, eu tava em casa comendo biscoito e jogando Master System.
Nessa fase as crises de bronquite já diminuíram MUITO. Agora quando fico doente sempre tem uma associação absurda da minha mãe. Exemplos: 1 – Apareço resfriado e ela diz: “Claro, só podia ficar assim depois de ter comido banana antes de dormir”. 2 – Reclamo de dor de cabeça e vem ela: “Isso que dá ficar o dia todo descalço.”. Ainda tem que ir ao médico. Chega lá a minha mãe começa a falar tudo que eu faço e deixo de fazer: “ele dorme tarde, não faz exercício, come toda hora…”. O médico só fica olhando, examina aqui e ali. Pronto, chego lá com dor de cabeça e ele receita relaxante muscular.
Estudava num colégio de freiras. Não, não era para ser uma freira. O colégio era religioso e comandado por freiras, seus maldosos. Nesse quase fui expulso algumas vezes. Fazia muita merda. Uma vez levei seringas (com agulha) pra sala de aula, o garoto que sentava do meu lado disse pra professora que eu queria matar ele. Imaginem. Sempre fui meio ruim da cabeça. Confundo Pink Floyd com Led Zepellin, digito amalero ao invés de amarelo, falo bengala quando quero falar banguela… entre outras coisas mais.
Agora junta GORDO, FEIO, POBRE e pau pequeno. Tente imaginar minha vida. Mulheres? Passam longe. Amizades? Poucas. Pelo menos não bebo, nem fumo. Me orgulho disso. E sofro discriminação por isso também. Me acham chato por não fazer o que eles fazem, pode isso? Pelo menos não dou a bunda, né. Imagina que se pra ser aceito na sociedade todos tivessem que dar a bunda? Ia ter gente pedindo pra ser reprovado no teste, só pra fazer de novo.
Resolvi entrar para uma academia para ver se melhorava alguma coisa, né. Logo de cara vi aqueles bombadões, sabe? Muita vergonha, eles lá pegando 100 Kg e eu lá com 5. As mulheres fazendo 120 Kg na perna e eu com 20. Resultado: tô com mais barriga e com menas bunda. Detalhe: na avaliação médica ninguém diz que fuma e bebe, parece até academia cristã, Atletas de Cristo.
Nesses último anos estou morando em Piedade e antes morei em Maricá, cidade do litoral do Rio de Janeiro. Lá na época de férias ficava tudo lotado, acabava a luz e minha casa enchia de parentes oportunistas. Aqui em Piedade a casa tava meio velha e tal. Fizemos uma reforma. Ao quebrar as paredes, da década de 50, descobrimos que as mesmas eram feitas de bambu e barro. Olha como era segura. Os cupins haviam comido as paredes da casa, qualquer coisa caia tudo. Dentro de uma dessas paredes, encontrei uma bola de gude. Todo dia eu vinha acompanhar a construção. Uma parede torta é fácil de perceber, mas não adiantava falar com o pedreiro. Nunca ficava certa. Resultado, umas 3 paredes tortas. Deve ser porque ele se distraía ouvindo a rádio evangélica o dia todo, só pode.
Fui a algumas entrevistas de emprego e destaco uma delas. Era para dar suporte por telefone, então a pessoa tem que saber falar muito bem. Sala cheia e vem o primeiro teste. Na frente de todos, a examinadora pede para cada um ler uma frase em voz alta. Frases do tipo: “Cláudio e Flávio foram assistir Flamengo e Fluminense. – Cliente bravo é um problema para a empresa.” Até aí tudo bem. Hora de começar. Sem brincadeira, tinha gente falando ‘Frávio’, ‘Cráudio’, ‘Fruminense’, ‘Framengo’, ‘ploblema’ e por aí vai. E não dava pra segurar o riso, todo mundo ria porque era muito bizarro. Essas pessoas foram eliminadas de cara. Aí eu me pergunto: podiam ter ficado em casa, não?
Fiz minha primeira viagem de avião. Foi legal, gostei muito. Na verdade viciei, quero voar toda semana!!! Reparei no inglês das aeromoças. Falar lendo até eu, mas ler e ainda ERRAR absurdamente e começar a falar cada vez mais baixo é meio bizonho. Detalhe: 90% delas são loiras. Aprendi uma coisa: NUNCA, eu disse NUNCA vá na poltrona do meio. É totalmente desconfortável, ainda mais quando você não conhece as outras duas pessoas. Ir ao banheiro deve ser ruim com todo mundo olhando e pensando: “Hmmm, safadinho mijão. Por que não foi antes??”. O que me deixou com medo foi a obrigação de preencher as informações no verso do cartão de embarque. Eles pedem dados de alguém que possa ser avisado caso haja algum problema no vôo. Isso assusta pra cacete, não?
Hoje estou aqui, 22 anos na cara, duas faculdades trancadas, desempregado e escrevendo num blog. Como minha avó disse: “O importante é ter saúde!”
Parabéns!!!
Excelente biografia. Só as informações principais e necessárias!