Ando muito de ônibus. Ainda não consegui juntar carro com carteira de motorista. Já tive carro, mas sem carteira. Agora tenho carteira e não tenho carro. Não, eu não vendi o carro pra tirar a carteira.
Costumo reparar muito em certas coisas que não vão mudar em nada minha vida. Por exemplo, os ambulantes que entram nos ônibus. Eles parecem focas amestradas. Chegam, penduram as mercadorias e mudam o tom da voz. Começam com aquele mesmo papo de sempre: “Bom dia, desculpe o ambulante atrapalhar o silêncio (como se o ônibus tivesse isolamento acústico, né) da viagem dos senhores. Eu poderia estar roubando, matando… mas estou aqui para oferecer aos senhores tal mercadoria que na loja é o dobro do preço e com o ambulante você leva 3 pela metade do preço…”. É sempre a mesma coisa. Um dia ainda descubro onde eles recebem esse treinamento perfeito. O método de ensino deve ser revolucionário, porque todos falam a MESMA COISA.
E na maioria das vezes o trocador ou cobrador (qual é o certo? Um dia vou perguntar pra eles), nunca sei o certo, se faz de João sem braço. Fica na dele só pra ganhar uma bala do ambulante. É aí que ele ganha o dia, porque ele não faz nada. Você chega nele e pergunta alguma coisa, ele vai responder: “não sei, sou novo aqui…”. E quando eles vêem uma nota de 10 ou mais. O coração dispara e eles falam logo: “espera um pouco aí, porque não tenho troco…”. O ônibus pode estar lotado, mas eles têm a cara de pau de falar isso. E quando dão o troco contam, recontam e ainda perguntam se está certo. Como se fosse tipo: “conta aí, estudei o bastante só para ficar aqui sentado e aprender a rodar a roleta…”
Reparei também no comportamento das pessoas. Tudo começa quando alguém entra no ônibus e dá logo aquela olhada pra ver se há algum lugar disponível.
Os homens pelo que eu tenho observado bastante, não importam se tem dois assentos livres. Ele senta sempre do lado de alguma mulher. Aí eu me pergunto, com tanto assento disponível, por que cargas d’água o cara vai e senta do lado da mulher? Na maioria das vezes o cara entra todo suado, fedorento, com aquele desodorante vencido, ou aquele perfume francês do Paraguai (poucos sabem que o Paraguai também é o maior exportador de Uísque escocês do mundo). Será que ele acha que a mulher vai agarrá-lo, dar um beijo daqueles e chamar pra ir num motel? Fora aqueles caras que quando o ônibus já está cheio, ficam em pé logo perto de quem, roçando as coisas nas mulheres. É horrível, presenciar uma coisa dessas.
As mulheres fazem quase a mesma coisa. Entram no ônibus já procurando lugar pra sentar. São três opções: os assentos vazios, sentar ao lado de uma mulher e sentar ao lado de um homem. Qual ela escolhe? Na maioria das vezes, senta ao lado de outra mulher, em poucos casos sentam sozinhas e raramente, quase por milagre, sentam ao lado de um homem. Claro, depois de analisar o cara umas 20 vezes. E quando o ônibus enche, elas ficam em pé perto das mulheres. Porém, não conseguem evitar as casquinhas que os homens tiram quando passam por elas.
É por uma dessas que eu entro no ônibus, sento sozinho e na maioria das vezes jogo a mochila no outro assento. Aí não tem perigo nenhum, somente se pedirem pra sentar. Mas me fodo quando não tem assento livre, sento logo do lado no primeiro lugar que aparecer. Numa dessas vezes, sentei no banco dos deficientes, e não é que me entra no ônibus uma mulher marrenta de bengala. Quase me bateu, mas eu dei o lugar pra ela, claro. Deu pra perceber que eu ando muito de buzão, não é?
E aquelas pessoas que pedem licença pra sentar quando o banco que você está sentado tem um assento livre? Eu ainda vou responder: “Não, não dou licença. Fique em pé.”
Um dia desses indo para o centro. Calma gente, centro do RJ. Não os outros “centros”. Nada contra, aliás, se alguém aí for lá, fala bem de mim. Eu sou um cara legal e tal… Quem sabe eles me ajudam né. Porque essa crise está sinistra. Vai que eles gostam de mim…
Então, eu estava na Água Santa e peguei o 238. Era o que tinha mais perto. Mal sabia eu da fama de 238 volta ao mundo. Entrei no ônibus, eram 16h30min. Cheguei ao centro 18h, e detalhe: era domingo. Não tinha trânsito, nem nada.
Imaginem a viagem. Eu já tava vendo hora que o ônibus iria passar por Botafogo, Copacabana, Leblon, chegar na Barra e pegar a Linha Amarela. E nada de chegar ao centro. Levantei e perguntei ao motorista: “Meu querido, tem certeza que esse carro vai pro centro? Já rodamos mais de uma hora e ainda estamos na Tijuca.”. Ele respondeu tranquilamente: “É assim mesmo, demora. Ali no Grajaú a gente para, faz um lanche, troca de motorista e reabastece, a viagem é longa né, o senhor sabe.”. É eu sei que me ferrei…
E você? É você mesmo que está lendo… Têm alguma história interessante?? Alguma sugestão?? Entre em contato Trocistas@trocistas.com
Abraço
Perfeito, deixa eu te falar algumas coisas. Sou de SP e sempre que vou ao Rio me deparo com essas situações de linhas interminaveis, aqui é diferente, as viagens são curtas o preço é alto e a qualidade dos onibus do Rio são infinitamente melhores que as daqui, isso só pra vc ter uma ideia.
Quanto ao discurso dos ambulantes tive a mesma duvida a alguns anos e fui perguntar numa loja de doce perto da estação da luz o cara riu e disse que cada vez que alguem quer se aventurar vendendo balas e nao sabe como começar ganha um Manual que depois que ele mostrou eu fui obrigado a ler, e adivinha o que vinha escrito no papel xerocado que ele distribuia? ” Ola,…….(Fale seu nome) gostaria de pedir um auxilio, estou vendendo……(o produto) pra ajudar minha familia e talz..” Acredita? KKKkkk O cara tinha feito uma colinha pros “iniciados” .
Agora cara, 2 coisas que eu vejo no Rio e sei que nunca daria certo aqui… Primeiro: Ai vcs nao fazem fila nos terminais de onibus. (Pelo menos nunca vi) e outra:Onibus com ar condicionado nunca funcionaria aqui. Só ia ter movimento nesses carros.
Abraço.
Belo Blog, excelente narrativa. Abraços de SP.
Parabéns
E essa teoria do banco é totalmente verdadeira. Eu mesmo, sempre que dá, sento ao lado de uma mulher. Vai que cola, né verdade?
Fuiiiiii q Demorei!
Beijoos
Abraços e Sucesso.
mto bom
passo por isso todos os dias
aff é um saco
odeio onibus lotado