
Promoção: “SP R$ 80”, você fica todo animado. Mas eu não sabia que havia taxa de embarque. Isso significa que mesmo comprando a passagem, você NÃO consegue embarcar (embarcar não seria no barco? Deixa pra lá) no avião. Você vai para o aeroporto e fica olhando pro avião, mas só passa pelo portão de embarque e chega até o avião se pagar a taxa! É tipo um pedágio. E ainda temos que preencher o cartão de embarque com nome e telefone de alguém que eles possam ligar caso aconteça alguma coisa, só aí você já se borra de medo. Preenchi assim: Nome: Deus; Grau de Parentesco: Pai; Telefone: 2 Pai Nosso, 1 Credo, 3 Ave Maria e 2 Salve Rainha.
A aeromoça dá as instruções como nos filmes. Ensinam a usar o cinto como se você não andasse de carro desde 1850. Primeiro em português, depois inglês, como se alguém que fale inglês fosse para o Acre. Na parte em inglês, para disfarçar a falta de fluência, fazem voz sensual, vão falando cada vez mais baixo e rápido. Quem não entender em português não vai saber colocar o cinto, o que fazer com a máscara, onde ficam as saídas de emergência, que não pode fumar e para onde o avião está indo.
E aqueles lanchinhos? Meu Deus, que pobreza. Um biscoitinho seco, ruim pra caramba com um copinho de Dolly. É comer e torcer pra não ter turbulência. Não tem uísquezinho 12 anos pra relaxar e nem aquela lagosta deliciosa. E depois do lanche ainda teve balinha 7 Belo, é sério.
Uma das piores coisas é sentar na poltrona do meio e o que piora é sentar no meio de duas pessoas que nunca viu na vida. Viajei olhando pra frente e só. O cara do meu lado estava lendo jornal, inclinei a cabeça um pouco e ele pensou que eu estava tentando ler. Olhou-me e perguntou: “quer ler?” – respondi: “não, mas vai servir quando eu for ao banheiro”. Outra coisa é a turbulência. Tudo treme. E para alguém que nunca teve essa experiência, é bizarro. Todas as luzes de aviso acendem, ninguém levanta, cintos apertados, mas e o cara que está no banheiro?
Ir ao banheiro é horrível, você só levanta da poltrona para duas coisas: mexer na mala ou ir ao banheiro. Levantou e andou, vai ao banheiro. Todo mundo meio que te julga, fazem uma cara de tipo: “vai mijão, se encheu de Dolly né?”, “vai cagão, ficou com medo da turbulência ou foi o biscoito?”.
Uma coisa que vi e achei estranho foi a carona para funcionários. Imagina só, o cirurgião operando e chega alguém da limpeza e diz: “Doutor, quero assistir a cirurgia”.
Tenham cuidado porque viajar de avião VICIA, é sério gente. Todo dia acordo querendo ir de avião para a faculdade que fica há 10 minutos daqui. Venci o vício, agora só uso o avião para levar o Rex para passear em Nova Iorque. Não sou viciado, paro quando quiser!