
Na fila do banco, passa uma mosca e o cara da frente vira e fala: “Cara, viu aquela mosca? Passou baixinho.”, e fica esperando a sua resposta. Se não responder, ele vai pensar que você está nervoso, com pressa e afins, aí ele cutuca o cara da frente, que a essa altura do campeonato já são amigos íntimos e fala: “xiii, esse aí tá nervoso…”. Mas se você responder, meu amigo, o papo vai render. Chegando até a mostrar foto da família, te convida para aquele churrascão na laje regado a Itaipava quente e carne de gato.
Eles insistem em puxar assunto comigo, mas eu respondo balançando a cabeça positivamente e sorrindo. E só. Aí eles tentam com outra pessoa. Acho que esse deve ser um sinal de “sai pra lá seu mala, me deixa quieto”.
E quando os puxadores se encontram?? Aí sai de perto, meu amigo. São 24 horas de papo. Eles agem principalmente em lugares que não possuem televisão.
Você já percebeu como as pessoas chegam para falar com um cego? É assim: “B-O-M D-I-A, P-O-S-S-O A-T-R-A-V-E-S-S-A-R V-O-C-Ê?”, isso mesmo, gritando bem pausadamente, como se a pessoa fosse retardada. E quando são surdos ou mudos? Chamam atenção aqueles sinais todos sem parar. Um amigo meu, uma vez soltou essa: “Aquele mudinho não cala a boca”.
Imagine-se no trem distraidão e o povo todo conversando. Eis que surgem as perguntas: “Você é virgem?”, “Você matou também?” e “Você deu?”. Claro que na hora, imediatamente, você começa a acompanhar a conversa, mas logo percebe que estavam falando sobre signos, matar aula e dar esmola no sinal. Ou seja, nosso cérebro já está treinado para captar besteiras.
Esses nem são puxadores de conversa, mas são do tipo que não sabem falar baixo. Podem estar do lado da pessoa, mesmo assim falam absurdamente alto, ou seja, suas merdas são ouvidas por todos. Você está lá tranquilão e do nada duas pessoas começam a discutir teorias da conspiração ou teorias da vida e tal… Sem fazer ideia do que estão falando. Tipo: ”Ahh, o atentado lá nos EUA foi coisa dos comunistas aliados dos Nazistas. Comandados pelos Illuminati, que não gostam de torres.”. Só coisa bizarra.
Ainda têm os que falam sozinho. A pessoa pensa em voz alta, sabe? Há monólogos, perguntas e respostas, pensamentos soltos… tudo que você possa imaginar. E eu pergunto a vocês: Quando o assunto é bom, como fazemos pra entrar nessa conversa?
O pior de tudo é quando a pessoa fala alguma coisa e você responde, mas ela já sabe o que falar independentemente da sua resposta. E fica aquele monólogo, sabe? Você pode até entender do assunto e querer opinar, mas a pessoa não te ouve e praticamente fala sozinha. Exemplo: “Cara, você viu o jogo ontem?” – “Poxa, não vi. Minha mãe morreu.” – “Caaaara, que jogão. E o juíz ainda deu aquela roubada básica…”
Você pode até não tá ouvindo PN… mas não tem a obrigação de responder…
Você pode fingir que tá dormindo… Ou que não viu.
Você está com a boca ocupado demais pra responder…
Ainda tem o tipo que mais anda frequentando buzus… os sem fone de ouvido… aí colocam aquele pagodim… aquele brega xulo ou ainda aquele sertanejo esperto… ainda ficam do seu lado e começam “essa música é massa brow…” ¬¬